I’ve been thinking about you

Tenho pensado em ti, do fim ao início, e quanto mais quero esquecer, mais sonho contigo.

Saber que não sabes

Quando me deixaste ir, sei que não havia retorno. Sei que não vens, sei que não volto. Nojento Orgulho este que é o meu motivo de não querer saber de ti.

Sei que não sabes por onde tenho andando. Eu próprio não sei. Entreguei-me ao vazio, e desde então vejo um abismo.

Eras o que queria. E talvez tenha sido melhor assim. Continuas a ser aquele meu sonho, aquele que sempre foste. E com isso ainda me sinto uma criança com todas as possibilidades.

Mas sei. Sei que não sabes o que tenho passado. uma dor incontornável que não tem hora, inicio, fim.

Sei que sabes que não quero voltar. Sei o que posso dar, e sei que não o quero dar.
E só espero que sejas feliz.

Isto sim, é realmente o nada que é tudo. 

estrada

saber onde estou relativamente a dois extremos.

saber o que quero.

não saber o caminho.

já não peço um mapa, nem tanto uma guia. sim mais um modo.

quando pequenos martelos batem em fios ainda mais pequenos, cria-se a harmonia.

somos todos uma musica a 3 tempos. 

Dor ( 11 )

As horas passam. Sinto um fracasso de mais um dia.

Já nada faz sentido algum, levaste o que mais quero sem pensares em mim. Mas assim estou, perto do final dos dias. Aquelas horas em que tento construir a imagem mental do dia, que tento sempre fazer o mais perfeito possível, seguinte, seguindo aquilo que mais quero.

Mas já nada faz algum sentido. Pois com essas agulhas que tens, com que andas sempre armada, me feres com dor. Pensando eu que estaria já imunizado a tal ferimento, quanto mais treino, menos aprendo.

Faz algum sentido. Mas tu tens tudo o que quero.

O tempo ( dez )

e chega a chuva. Como corpo físico que é, é afectado pela gravidade.

O tempo, misteriosamente, não pára. E com isso, e sendo assim, todos os conceitos físicos dependentes dele, também não podem ser parados.

Com isso começo a ver que a curva do que se considera perfeito, talvez não seja só ascendente, mas sim mais oscilantes.

se acredito nisto, sou forçado a acreditar que se pode viver mais que uma vez.
Será só isto então mais uma repetição dos mesmos erros?
Ou será então que isto é o melhor que já fiz?

Já não sei se erro, se apenas estudo para viver melhor depois.

Talvez tu me respondas a isso. 

Setembro ( nove )

Setembro chega, sempre seguido do verão que teima em passar a correr. Seja por falta de atenção ou não os dias cruzam as noites seguidos de dias que correm por entre a vontade de os agarrar e finalmente fazer todos aqueles planos perfeitamente agendados.

E então ele chega. O mês que mais parece um campo de batalha que qualquer outro. A destruição na cidade do coração é de tão forma atroz, que tudo desaba por si só. Seja por falta de atenção ou não, aqueles detalhes que outrora eram perfeição, agora são só mais motivo de destruição.

Do mesmo modo que seguido da destruição de uma nação, no coração reside também o medo. O trabalho de conquista tão árduo, demonstra agora a fraqueza que possui.

Vimos que até hoje, tudo seguido da destruição só melhor. Queira eu acreditar nisso.

Queira eu ter nove vidas contigo.
Queira eu só viver.

Todos os muros caem, mesmo aqueles que simplesmente parecem inabaláveis.

Mesmo aqueles sentimentos fortemente apoiados pela construção demorada de algo tão estável, mas que no entanto ao mais leve vento, não caindo, treme.

Parecia mais resistente, parecia um muro infinito, inabalável, daquele gênero que nos protege dentro dele, uma casa que fazíamos de conta que eram os nossos mundos.

Talvez fosse só aparência, meras palavras escritas à pressa como se de arte se tratasse. Talvez.

Talvez não.

Que muro era este, que sem telhado me servia de abrigo?

Séptimo ( O Tudo e o Nada de Coisa Nenhuma )

3.5

E todos os sonhos, meramente concretizados por prazer, se juntam num só espaço de éden, com todo o seu pecado.
Ali, ali sim, se encontrava tudo aquilo que parecia interminável. 

O tempo voa. Tudo se enchia de um mistério puro e cru, de nós como seres que nos entregamos.
Era só isso que importava. Nada mais. Não o que se pensava. momentos.

De todo aquele grupo de esforços que sentiam-se quase nulos, todo o prazer era algo que não se merecia completamente.
Tudo cresceu. Para acabar num nada.

Afinal, onde estás? qual a distância que nos separa?

será tudo isto o nada que resta?

3.5

100